Tensão entre EUA e Irã mantém petróleo sob pressão; entenda os riscos para a economia brasileira

Ataques a petroleiros em Ormuz, incêndio em refinaria saudita e promessas de fim rápido da guerra mantêm o mercado em alerta. Diesel, […]

Ataques a petroleiros em Ormuz, incêndio em refinaria saudita e promessas de fim rápido da guerra mantêm o mercado em alerta. Diesel, inflação e frete são os principais pontos de atenção para o Brasil.

Belém (PA), 3 de outubro de 2026

A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada há mais de seis meses, segue sem desfecho e continua pautando o mercado de petróleo. Na sexta-feira (2), o centro britânico de monitoramento marítimo UKMTO informou que dois petroleiros foram atingidos por projéteis não identificados na região do Estreito de Ormuz. No mesmo dia, o presidente Donald Trump afirmou, em comício no Alabama, que o conflito terminará “muito em breve”, provavelmente logo após as eleições legislativas americanas de novembro, e que o preço do petróleo cairá com o fim da guerra.

O que aconteceu nas últimas horas

  • Reservas estratégicas: o G7 vai liberar 100 milhões de barris de petróleo e diesel de estoques de emergência para estabilizar o abastecimento.
  • Arábia Saudita: imagens mostram fumaça em uma refinaria da Aramco em Riade. A causa não foi esclarecida. Na semana anterior, os houthis, aliados do Irã no Iêmen, disseram ter mirado instalações da estatal em Yanbu.
  • Combustíveis nos EUA: segundo a AAA, o galão de gasolina custava US$ 4,38 no sábado, contra US$ 4,49 uma semana antes. O preço recua, mas segue elevado.
  • Bloqueio: os EUA mantêm bloqueio aos portos iranianos. A Casa Branca afirma que o petróleo iraniano está completamente barrado e que o fluxo por Ormuz se aproxima dos níveis anteriores à guerra, citando a Bloomberg. Os ataques a navios, porém, continuam.

As projeções de queda de preços partem do governo americano e não têm calendário confirmado. Dependem do fim das hostilidades, que ainda não tem data.

Por que o Brasil é afetado

Cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, o Brent saiu de aproximadamente US$ 70 e chegou a um pico intradiário de US$ 119,50 em 9 de março, segundo estudo do Banco do Nordeste. Em julho, durante uma trégua, recuou para perto de US$ 72, conforme o Boletim Focus. A trajetória mostra a volatilidade do mercado.

O Brasil exporta mais da metade do petróleo que produz e, por isso, tem posição mais confortável que a de muitos países. A dependência externa relevante está no diesel e no gás de cozinha (GLP). O país importa cerca de 25% do diesel que consome, percentual que varia conforme o período, segundo a Reuters.

Os canais de risco

1. Diesel e frete. O transporte rodoviário é central na economia brasileira, e o diesel pressiona fretes e, por consequência, o preço dos alimentos. Em março, a Petrobras elevou o diesel nas refinarias em R$ 0,38 por litro. Naquele mês, a Abicom apontava defasagem de cerca de 85% entre o preço interno e o internacional.

2. Política de preços da Petrobras. A estatal diz não repassar oscilações momentâneas ao mercado interno. Defasagens elevadas, porém, aumentam a pressão por reajustes.

3. Inflação. O Focus projeta IPCA de 5,02% para 2026, acima do teto da meta. Em julho, os combustíveis recuaram 1,44% no índice. Analistas alertam que o petróleo chega ao IPCA com defasagem, e a leitura fraca do mês pode não refletir a alta recente do barril.

4. Câmbio e juros. O choque de petróleo também chega à economia pelo câmbio e pelas expectativas de inflação, o que complica a trajetória de queda dos juros.

5. Agronegócio. O Irã é o terceiro maior exportador mundial de ureia, insumo de fertilizantes. A elevação de fretes e de custos logísticos atinge o campo.

6. O lado positivo. A alta do petróleo aumenta a receita de exportação do país e o resultado das petroleiras, o que compensa parte dos efeitos.

O que acompanhar

  • A duração do conflito e a segurança da navegação em Ormuz.
  • Os reajustes de combustíveis anunciados pela Petrobras.
  • O Boletim Focus e o IPCA dos próximos meses.
  • A efetividade da liberação de reservas pelo G7.

Como resume o analista Pedro Côrtes, da CNN Brasil, no petróleo o preço muda primeiro e a conta chega depois. O barril de hoje não é o diesel que chega ao posto amanhã.

Fontes: Fox News (cobertura ao vivo, 3/10/2026); CNN Brasil; Banco do Nordeste; Boletim Focus; Reuters; Abicom; Petrobras; BrasilAgro; Band; O Povo e Meelion.